IV Rallye Intercontinental HARO - MARRACKECH

Capa da revista “Topos e Clássicos” nr. 14 de Junho de 2002
Nós, A Bomba e a outra… em Marrocos
Os portugueses Aurélio Neves e António Fleming, no seu habitual BMW 1600, subiram ao lugar mais alto do podium no Sheraton Hotel de Marrakech depois de terem ganho IV Rallye Intercontinental Haro – Marrakech, prova de regularidade histórica para automóveis clássicos desportivos, organizada pela Escuderia espanhola OIZ de Durango, que decorreu entre 28 de Abril e 5 de Maio. Nos lugares seguintes destacaram-se Carlos Romero e Anton (Audi), Joaquin Rato e Juan Ramirez (Alfa-Romeo), Ignácio e Javier Piedade (Porsche 911), Octávio Rato e Juan Baeza (Porsche 911) e Miguel Aguillera e Gabriela Prada (MGA).
Tal como tínhamos prometido, numa edição anterior, aqui fica o relato nas primeiras pessoas (são dois!!) do que foi esta maratona que começou próximo de Bilbao, passando por Ronda, no Sul de Espanha, onde foi dada a partida oficial. Esta aventura era composta por 6 etapas e 22 provas de regularidade num total de 2.600 Km, onde se incluíam as difíceis travessias das cordilheiras de Ronda, Rife a Alto e Médio Atlas, passando ainda pelo deserto do Sahara.

Ronda, 29 de Abril 2002, 15H01m.
Após o percurso neutralizado de Haro até Ronda, ouviu-se pela primeira vez o tão esperado 5…4…3…2…1…go!
Foi com esta contagem decrescente que se iniciou a parte competitiva do IV Rallye Intercontinental Haro – Mrrakech !
Após 40 Km de serpenteado nas serras de Ronda, chegamos à entrada do primeiro troço de regularidade – Grazalema (10 km).
O Sol, temerariamente rompia por entre as nuvens, com o mesmo nervosismo com que encarávamos este extenso e duro Rallye (afinal entre ida e volta foram só 5.500 km bem medidos).
Os cronómetros alinhavam-se à nossa frente, saltitando de segundo em segundo à medida que avançávamos os primeiros metros do troço que agora se iniciava.
Em ritmo acelerado, seguem-se nestas sinuosas e difíceis estradas de montanha, mais dois troços de regularidade: Colmenar (15 km) e Gaucin (9 km).
O empenho e rigor no cumprimento dos objectivos para esta primeira etapa haviam corrido conforme o previsto – o resultado era positivo.
Agora, em direcção a Algeciras em percurso de ligação, esperava-nos o ferry que nos levaria ao Continente Africano.
Após uma demorada espera, eis que finalmente iniciamos as operações de embarque juntamente com toda a caravana.
Chegados Ceuta já noite alta, esperava-nos um lauto repasto de 1 escalope e 1 um yogurte (!!??).
Valeu para acalentar, não o estômago mas sim o ego, a divulgação dos resultados desse dia – estávamos em primeiro com 5 pontos de penalização e 7 de vantagem sobre o segundo Carlos Romero e Anton Piedade em Audi, mas ainda havia muitos kilómetros pela frente.
Tinha começado da melhor forma possível este Haro – Marrakech organizado pela Escuderia Oiz e eficazmente liderado pelo simpático e cordial Luís Rodriguez superiormente acompanhado por “sus muchachos”.
A fronteira marroquina
Domingo, 30 de Abril de 2002, manhã cedo, depois de termos atestado o depósito e o jerrican a menos de 50 cts/litro (sim é verdade), demos inicio à etapa Ceuta – Fez, com percurso neutralizado até Marina Smir, nem poderia ser de outra forma, pois a passagem da fronteira marroquina revelou-se uma verdadeira caixinha de surpresas – houve quem tivesse pago (lá tudo se paga) e demorado apenas meia hora a atravessar a fronteira e quem tivesse andado para a frente a para trás com os documentos de guichet em guichet (como nós por exemplo) e tivesse demorado mais de hora e meia.
Chegado a Marina Smir, repete-se o ritual; 5…4…3…2…1…go! E lá estávamos nós outra vez em prova para cumprir mais 385 km nas difíceis, duras e nem sempre asfaltadas estradas marroquinas.
Percorridos 20 km, a primeira grande dificuldade em Tetouan, por dúvidas na interpretação do road-book achamos que por bem confirmar qual a estrada a seguir para Cap. Mazzarri (a apenas 5 km de distância de Tetouan). Perguntamos a policias, militares, gasolineiros, taxistas, transeuntes e mesmo depois de lhes termos mostrado o mapa as respostas foram sempre diferentes - afinal estávamos mesmo em Marrocos e optamos por seguir a nossa intuição que por sinal estava certa.
Até Bou-Ahmed – fim de secção – seguiram-se duas provas de regularidade (Mazzari – 24 Km e Targha – 12 km), que correram da melhor forma, pese embora o facto de toda a caravana ter sido apedrejada violentamente por miúdos que não aparentavam mais de 12 anos, felizmente sem consequências físicas, mas que causaram alguns estragos nos automóveis.
Seguiram-se os troços cronometrados de El-Jebha (17 km) e Bad Besen (10 km).
Nesta última, o primeiro grande susto: 50 metros após a partida, o BMW senta-se – qual dromedário após a travessia do deserto!
O diagnóstico aponta para a bomba de gasolina: mãos à obra. Desmonta bomba e tudo parece ok. Volta a montar e eis que inexplicavelmente se volta a ouvir o já saudoso cantar do 4 cilindros alemão – não fosse a penalização máxima até tinha parecido divertido.
Já sem grandes esperanças de uma boa classificação lá seguimos caminho rogando pragas à mãe da bomba.
Até Fez, onde chegamos com um enorme “melão”, tudo correu dentro da normalidade habitual. Pena foi que tivéssemos caído vários lugares na classificação geral.
O “espírito da bomba”
Na manhã seguinte tudo estava esquecido e lá fomos nós pelas ruas estreitas. Labirínticas e apinhadas ruelas da Medina de Fez onde aproveitamos para regatear os preços de algumas compras que efectuamos para aqueles que, ansiosamente, neste canto à beira-mar plantado, aguardavam o nosso regresso.
Às 13:01 lá arrancamos para nova corrida, nova viagem, até que repentinamente no horizonte surge o malvado “espírito da malfadada bomba”, será que era sua intenção calar-se outra vez?
Sem sobressaltos de maior chegamos à neutralização em Midelt e aqui começaram as jornas de trabalho. O Aurélio inicia-se na arte de mecânico ao substituir o platinado do MGA do Miguel Aguillera.
O sector seguinte, Midelt – Erfoud, onde chegamos já de noite, correu da melhor forma tendo ascendido, alguns lugares na classificação. Entretanto os receios com os espíritos tinham sido (definitivamente ??..) dissipados, mas o melhor estava para acontecer.
Após uma noite de 4 horas de sono lá estávamos nós frescos que nem duas alfaces (murchas é claro…) para iniciarmos a etapa Erfoud – Erfoud (80 km).
Fomos os últimos a chegar ao parque e com os outros concorrentes a fazerem-se já à estrada lá arrancamos nós no lugar de “carro-vassoura”. Os primeiros 170 m correram às mil maravilhas, mas eis que, quando voltamos a completar 180 m da etapa, o MV volta a adormecer. Outra vez a bomba? Pois claro, só pode ser !!!
Numa tentativa desesperada de recolocar a “carroça” a trabalhar (sim, naquele momento aquele carro todo janota e bem decorado com a publicidade do Butler & Miguel, da Aquasoja, da Cozibela, do Pinto & Barreiros, do Serafim Costa e da Lua de Mel, não passava de uma grandessíssimo charuto adormecido na areia do deserto – O Aurélio tem a pirotécnica ideia de verter directamente para dentro do carburador alguns litros de gasolina, esquecendo-se que com o charuto no canto da boca poderia dar mau resultado; e é que deu mesmo – a labareda elevou-se a uns 2 ou 3 metros de altura.
Valeu a pronta intervenção do batalhão de bombeiros de serviço, “Tó Ixtintor Lda”, que se encontrava nas proximidades.
E agora? Não há que temer, enquanto o Tó limpa aquele fabuloso pós que enche os extintores das zonas mais críticas, o Aurélio muda a bomba de gasolina por uma suplente que tínhamos levado na bagagem e que só não foi mudada na noite anterior por manifesta falta de tempo.
Felizmente a ligação não era apertada e a todo o gás – sem porque o carro já não era “carroça”, mas uma verdadeira bomba, conseguimos chegar rés vês campo de Ourique ao controlo seguinte (em Marrocos diz-se “rés vez” camelo a pique”).
Entramos de imediato na “doble passada” que nos esperava no Kashbar de Rissani – esta prova consiste em duas passagens num determinado percurso em que os tempos da 2ª passagem têm que coincidir rigorosamente com os tempos recolhidos nos vários controlos secretos da 1ª passagem.
…o sistema TAU
Na segunda passagem apanhamos uma chuva diluviana que tudo enlameou e tornou as coisas muito mais complicadas, mas apesar de todas as contrariedades e graças ao recente sistema TAU de navegação (Technologies Advanced Updated) ainda em fase experimental, a prova correu da melhor forma.
Foi esta difícil prova que originou novo volte face na classificação geral, desta vez a nosso favor, e que nos catapultou novamente para os primeiros lugares.
Regressamos ao Hotel e a parte desportiva desse dia estava concluída pois a prova seguinte, uma rampa em terreno arenoso teve de ser anulada por se encontrar de tal forma intransitável que até os camelos “camaleavam”.
Como já tínhamos quase 3.000 km na bomba, aproveitamos para lhe dar alguns mimos, sob a forma de revisão (mudança de óleo, verificação dos níveis e outras coisas do género.
O Octávio Rato aproveitou para levar o seu yellow Porsche ao respectivo “concessionário” em Erfoud (uma oficina onde apenas cabem dois carros pequenos, mas atulhada de material usado e de paredes “chuiquerrimamente” decoradas com imaginativas manchas de óleo e um cheiro (tipo “Christian Piorr”) que nos fez recordar o último carro falecido naquela “oficina”), pelo que o trabalho teve de ser mesmo feito na rua, onde o Porsche foi rapidamente camuflado pelos inúmeros miúdos e graúdos que se juntaram à sua volta.
Como não houvesse a peça em causa (polie do ventilador) em stock, nem tempo para mandar vir uma via “Camelo Express”, o mesmo artista que decorou as paredes da “oficina”, e que me Marrocos dá pelo nome de sahib-mecânicos, não hesitou e meteu mãos à obra. Pancada daqui, pancada dacolá; calor de um lado, calor do outro; solda aqui solda aquli, lá consegui moldar uma polie como nunca dantes visto – Ah artista !!!! - Seguramente ficou desequilibrada, mas deu para continuar até ao fim.
No final do dia rumamos ao deserto para um acampamento Berbere (povo nómada com mais de 4.000 anos de existência) onde pernoitamos. Desta vez fomo-nos deitar mais cedo pois às 4:30 da manhã os dromedários (como só têm uma bossa são camelos – camelos fomos nós que fomos àquela hora p’ro meio de coisa nenhuma). Esperavam-nos para 45 minutos de viagem de ida até ao #nascer do sol” que por sinal é digno de ser silenciosamente saboreado, mas muito fascinante e imponentes sobre as dunas que pisávamos desde o dia anterior.
Regresso ao acampamento e pequeno-almoço em ritmo acelerado e lá estávamos nós outra vez na estrada a caminho da Marrakech via Tazarrine e Ouarzazate para mais 535 km.
Esta última etapa estava a correr sem sobressaltos de maior, pelo que, à entrada da última prova de regularidade, não estranharíamos se estivéssemos à frente da classificação geral.
A última prova
A última prova de regularidade que dava pelo nome de Tichka iniciava-se a 2.300 metros de altitude e prolongava-se por 16 km de uma vertiginosa decida que bordeava as vertentes do Atlas e que, abruptamente, atingia os 500 m de altitude.
Iniciamos o troço muito confiantes e seguros de nós próprios (como naqueles anúncios de televisão) na obtenção de uma boa classificação geral.
Mas eis que ao 16º e último km não avistamos o painel do fim de troço, nem ao 17º tendo de imediato decidido continuar em regularidade, mas 500 m depois daquele objecto verde que nos transportava e que tinha 6 rodas (2 suplentes) volta a fazer greve.
Como ainda descia, ligeiramente, mas descia, lá continuamos nós à conta do rei de Marrocos.
Mas o rei, como não nos conhecia de lado nenhum (o mesmo já não acontece com a Rainha), mandou que a descida acabasse.
Antes que o objecto que também transportava aquela outra maldita bomba (a de gasolina) se imobilizasse, saltamos para fora do mesmo e toca de empurrar, mas o rei (sem que a rainha soubesse) mandou vir uma ligeira subida e as forças foram-se…
Seria que ainda estávamos dentro do último troço de regularidade, ou seria que alguém se tinha “abotoado” ao painel e este já tinha terminado faltando cumprir apenas os 70 km de ligação até ao final?
Encostados na berma da estrada já de noite escura, afogados no meio de miúdos que instantaneamente apareceram de todos os lados e verdadeiramente desesperados, verificamos a malfadada bomba e lá estava ela outra vez a demonstrar o seu cansaço por tantos e tão duros km em terras Marroquinas – que jeito tinha dado aqui o artista de Erfoud para rapidamente inventar qualquer coisa que acordasse o BMW pois agora tínhamos as 2 bombas avariadas.
Lá tentamos inventar mil e uma coisas, mas sem sucesso, até que em desespero de causa, decidimos montar a bomba que tinha avariado anteriormente (agora com os cigarros apagados é claro), e milagre dos milagres não é que agora funcionava lindamente !!!
Toca a arrumar as tralhas ao mais puro estilo “tudo a monte” e deixar para mais tarde as operações de limpeza das mãos e vamos mas é a dar gás até ao controlo final em Marrakech pois restavam 35 m para percorrer os últimos 70 km de ligação por estradas de montanha. Missão impossível!
Bolas, perdemos o Rallye… foram estas as únicas palavras que se ouviram até ao final da etapa e do Rallye.
“S. Cristóvão em terras de infiéis”
Mas naquele dia, S. Cristóvão, o padroeiro dos automobilistas era português o controlo de chegada foi antecipado cerca de 2 dezenas de km.
Tão depressa íamos que nem demos pela sua presença.
Valha-nos que tomaram a nossa hora de passagem e coincidência das coincidências estávamos ma hora ideal. Penalização ZERO!
Mas do painel de fim do troço, continuávamos sem nada saber.
Soubemos já no hotel que o painel de fim do troço tinha desaparecido e quando encostamos já estávamos fora do mesmo. A ser assim seguramente tínhamos ganho o Rallye.
A espera até à noite seguinte em que foram publicados os resultados oficiais parecia-nos imensa.
Aproveitamos agora para ir dormir mais umas horas e mais lá para o meio da manhã fomos, na companhia de outros concorrentes até à Medina de Marrakech regatear mais umas compritas, tendo posteriormente visitado a cidade montados numa simpática caleche.
Durante o jantar de entrega de prémios são reveladas as classificações finais e eis que ganhamos mesmo o IV Rallye Intercontinental Haro – Marrakech.
Conseguimos…
Uma grande lição recolhemos: se D. Sebastião tivesse partido para África, com os incondicionais apoios do Butler & Miguel, da Aquasoja, da Cozibela, do Pinto & Barreiros do Serafim Costa e da Lua de Mel, seguramente tínhamos ganho Alcácer Kibir.
Seguiram-se 2.000 km de regresso ao Porto sem que a bomba de gasolina tenha dado sinal de si; pudera já não era a valer…
A informação sobre esta prova pode ser consultada no site: clasicosdeportivos.iespana.es
de onde extraíamos o seu texto na íntegra, e as fotos nele publicadas:
RALLYE HARO-MARRAKECH
Victoria Portuguesa Texto y fotos: INDAR GRAFIC
Los equipos portugueses están cada vez más presentes, en las pruebas para Clásicos Deportivos de nuestro país, convirtiéndose en protagonistas destacados, como el equipo que forman Aurelio Pita das Neves y António Fleming que con un BMW 1600 se han proclamado brillante vencedores de una nueva edición del rallye Haro -Marrakech que organizado por la Escudería Oíz, contaba con una escasa participación, de tan solo doce equipos, de los que tan solo la mitad conseguían cruzar la meta en Marrakech.
Ronda supuso el inicio de las hostilidades, con los primero tramos en la Sierra gaditana de Grazalema, en una etapa que culminaba en Ceuta. Desde el principio Pita das Neves mostraba su buen hacer y sus intenciones de victoria, pero en el transcurso de la segunda etapa con final en Fez, la bomba de gasolina dejaba tirado al equipo portugués en pleno tramo, su reparación le hacía acumular mucho retraso, pasando Carlos Romero a liderar la provisional. Dos etapa después era éste el que se “despistaba” y permitía al portugués volver a encabezar la clasificación, resolviéndose entre ambos la victoria final en la más larga etapa del rallye, mas de 500 kilómetros que recorrían una gran parte de desierto, atravesando el Alto Atlas para finalizar en Marrakech.
Finalmente el equipo formado por Aurelio Pita das Neves y António Fleming con BMW 1600 se hacía con la victoria, la segunda plaza se la adjudicaba el Porsche 911 de los gaditanos Octavio Rato y Juan José Baeza y la tercera plaza era para los malagueños Miguel Aguilera y Gabriela Prada con un MG A, que les hizo sufrir lo indecible, pero que finalmente les llevó hasta la meta en la imperial Marrakech. Carlos Romero y Antón de la Piedad eran los primeros en la categoría Open con un Audi Quattro y segundos en la combinada.
Mucho sol, un fuerte calor y una gran dosis de camaradería han sido el determinante de esta nueva edición de un rallye, en el que prevalece una particular filosofía de prueba: aventura, turismo y cultura para aficionados al mundo del motor.
CLASIFICACION FINAL
1º Aurelio Pita das Neves - Antonio Fleming BMW 1600 342 Ptos
2º Carlos Romero - Antón de la Piedad Audi 412
3º Joaquín Rato - Juan Ramón Ramírez Alfa Romeo 963
4º Ignacio - Javier de la Piedad Porsche 911 1.054
5º Octavio Rato - Juan J Baena Porsche 911 1.091
6º Miguel Aguilera - Gabriela Prada MG A 1.469
FICHA TÉCNICA
Organización: Escudería Oiz de Durango
Colaboradores: Michelín, Cruzcampo y Mitsubishi
Fecha: 28 Abril a 4 de Mayo
Salida: Plaza de Toros en Ronda
Llegada: Hotel Sheraton en La Menara de Marrakech
Recorrido: 2.136 Kms
Regularidad: 275 Kms
Desarrollo: Cinco etapas, en 13 sectores y 24 tramos
Cota más alta: Tizi-n-Tichka 2.360 mts
Finales de etapa: Ceuta. Fez, Erfoud, Erfoud y Marrakech
Finales de sector: Algeciras, Marina Smir, Bou Hamend, Ketama, Midelt, Rissani, Tazarine y Quarzazate